O Arrebatamento, a “Ressurreição de Vida” e a “Primeira Ressurreição” fazem parte do mesmo plano divino revelado nas Escrituras. Vimos no estudo anterior que aqueles que reinarão com Cristo participam da “Primeira Ressurreição”, conforme descrito em Apocalipse 20:4-6. Ficou evidente que essa ressurreição envolve todos que participarão do governo messiânico sob a autoridade do Cordeiro.
Este capítulo agora se esforça em organizar de forma objetiva três aspectos complementares:
- A “Ressurreição de Vida” em sentido amplo (a “Ressurreição dos Justos” desde Abel)
- A “Primeira Ressurreição” (os que são de Cristo na sua volta)
- O Arrebatamento e a transformação dos que estiverem vivos naquela ocasião
Ao considerar esses três pontos em conjunto, a harmonia do ensino bíblico se torna clara e coerente.
Principais tópicos deste estudo:
A “Ressurreição de Vida” em Sentido Amplo
O Senhor declarou em Evangelho de João 5:28, 29 que diz:
“Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que praticaram o mal, para a ressurreição do juízo.”
Da mesma forma, Paulo afirmou em Atos dos Apóstolos 24:15 que diz:
“Haverá ressurreição de mortos, tanto de justos como de injustos.”
Essas declarações apresentam dois tipos de ressurreições:
- Ressurreição de vida (dos justos)
- Ressurreição de juízo (dos injustos)
A “ressurreição de vida” é uma expressão ampla. Ela inclui todos os servos fiéis de Deus ao longo da história, desde Abel, passando pelos patriarcas, profetas e todos os que viveram pela fé.
Assim, quando falamos em “ressurreição dos justos”, tratamos de um conceito abrangente que envolve todos os aprovados por Deus.
A “Primeira Ressurreição” Dentro da “Ressurreição de Vida”
A “primeira ressurreição” já foi analisada no capítulo anterior. Aqui apenas recordamos sua definição.
Em Apocalipse 20:4-6 lemos:
“Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.”
Essa ressurreição está ligada aos que são de Cristo na sua vinda. Paulo explica em 1 Coríntios 15:23 que diz:
“Cada um, porém, por sua ordem: Cristo as primícias; depois os que são de Cristo, na sua vinda.”
Portanto:
- A “primeira ressurreição” envolve os que são de Cristo
- Refere-se aos cristãos chamados desde Pentecostes
- Destina-se à formação dos que reinarão com Cristo no Milênio
Ela está dentro da “ressurreição de vida”, mas constitui sua etapa inicial, necessária para que o Reino esteja estabelecido quando o reinado milenar começar.
A Transformação do Corpo e a Herança do Reino
A Escritura declara claramente que o estado atual do corpo humano não é adequado para herdar o Reino em sua dimensão celestial.
Paulo afirma em 1 Coríntios 15:50 que diz:
“Isto afirmo, irmãos: que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção.”
Por isso, tanto os ressuscitados quanto os vivos que pertencem a Cristo precisam ser transformados.
O apóstolo continua no mesmo capítulo:
“Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta.” (1 Coríntios 15:51, 52)
A transformação envolve a passagem de um corpo corruptível para um corpo incorruptível:
“Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade.” (1 Coríntios 15:53)
Paulo também descreve essa realidade em 1 Coríntios 15:44 que diz:
“Semeia-se corpo natural, ressuscita corpo espiritual.”
“Corpo espiritual” não significa imaterial, mas um corpo plenamente vivificado e governado pelo Espírito, adequado à dimensão glorificada do Reino.
Após sua ressurreição, Cristo manifestou essa condição glorificada. Ele podia ser visto e tocado (Lucas 24:39), podia comer (Lucas 24:42-43) e, ao mesmo tempo, aparecer no meio dos discípulos com as portas fechadas (João 20:19). Esses relatos mostram a realidade de um corpo transformado e glorificado, não mais sujeito às limitações da mortalidade.
Assim, os que herdam o Reino são revestidos de incorruptibilidade e imortalidade, aptos para participar do governo com Cristo.
O Arrebatamento dos Vivos na Vinda do Senhor
Nem todos os que pertencem a Cristo estarão mortos quando ele vier. Paulo esclarece em 1 Tessalonicenses 4:16, 17 que diz:
“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares.”
A ordem é clara:
Primeiro, os que morreram em Cristo ressuscitam.
Depois, os vivos são arrebatados e transformados.
Esse arrebatamento está ligado ao ajuntamento dos escolhidos mencionado por Jesus em Evangelho de Mateus 24:30, 31 que diz:
“Ele enviará os seus anjos com grande som de trombeta, e estes reunirão os seus eleitos dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.”
Os vivos não entram no Reino em condição de carne e sangue. Eles são transformados no mesmo momento em que são arrebatados, unindo-se aos ressuscitados.
Resumo Geral e Conclusão
A Bíblia apresenta duas categorias gerais de ressurreição: vida e juízo (justos e injustos).
A “ressurreição de vida” inclui todos os justos desde Abel.
Incluído nela, esta a “primeira ressurreição”, que se refere aos que são de Cristo na sua vinda, chamados desde Pentecostes para reinar com ele.
Carne e sangue não herdam o Reino. Por isso, tanto os ressuscitados quanto os vivos que pertencem a Cristo são transformados, revestindo-se de incorruptibilidade e imortalidade.
Ressuscitados e arrebatados formam um só corpo glorificado, o Reino sacerdotal que governará com Cristo no Milênio, em plena conformidade com o ensino apostólico.
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O nosso próximo estudo responderá sobre: A Separação das Ovelhas e Cabritos.
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