A grande multidão e os 144.000 descritos no livro de Apocalipse estão entre os temas mais debatidos da escatologia cristã. Ao longo do tempo, surgiram diferentes interpretações sobre a identidade, a função e o destino desses grupos.

Neste estudo, analisaremos os próprios textos bíblicos, considerando o contexto e a linguagem do Apocalipse, para compreender o que as Escrituras revelam sobre a localização, a relação e o papel da grande multidão e dos 144.000.

A Localização da Grande Multidão e os 144.000

Os 144.000 são descritos em Apocalipse 14:1-5 como estando no Monte Sião celestial e diante do Cordeiro.

“Então vi o Cordeiro em pé no monte Sião, e com ele 144.000, que têm o nome dele e o nome do seu Pai escritos na testa.” (Apocalipse 14:1)

A grande multidão também é vista em Apocalipse 7:9-15 como estando “diante do trono e diante do Cordeiro”.

“Depois disso eu vi uma grande multidão, que nenhum homem era capaz de contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro.” (Apocalipse 7:9)

Essa sequência narrativa reforça a ideia de que a grande multidão e os 144.000 não representam dois grupos distintos com destinos diferentes, mas o mesmo povo redimido visto sob perspectivas complementares.

Em Apocalipse 4:2 o trono de Deus é descrito como estando no céu, sugerindo que a grande multidão, assim como os 144.000, estão no céu.

“Depois disso eu ouvi o que parecia a voz alta de uma grande multidão no céu, dizendo: “Louvem a Jah! A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus.” (Apocalipse 19:1, TNM)

Até 1935, as publicações das Testemunhas de Jeová ensinavam que tanto os 144.000 quanto a grande multidão tinham uma esperança celestial. Foi sob a liderança de J. F. Rutherford que essa interpretação foi alterada, introduzindo a distinção entre uma esperança celestial e outra terrestre.

A Relação entre a Grande Multidão e os 144.000

Em Apocalipse 7:4-8, João “ouve” o número dos selados, 144.000, que são descritos como provenientes das tribos de Israel:

“Então ouvi o número dos que foram selados, 144.000 de todas as tribos dos filhos de Israel.” (Apocalipse 7:4)

Porém não somente “ouve” o número, mas também “vê” os 144.000 no céu:

“Então vi o Cordeiro em pé no monte Sião, e com ele 144.000, que têm o nome dele e o nome do seu Pai escritos na testa” (Apocalipse 14:1)

Em Apocalipse 7:9, João “vê” uma grande multidão que ninguém podia contar:

“Depois destas coisas, vi, e eis aqui uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam diante do trono e perante o Cordeiro, trajando vestes brancas e com palmas nas suas mãos.” (Apocalipse 7:9)

O fato de ouvir e ver um número específico e exato e em seguida ver uma multidão incalculável e numerosa, sugere que ambos representam o mesmo grupo de cristãos no céu, porém com algumas características diferentes.

A Grande Multidão e os 144.000 Servem no Templo

Apocalipse 5:9, 10 descreve os 144.000 como “reis e sacerdotes” que reinarão sobre a terra:

“Com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo, e nação; e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.” (Apocalipse 5:9, 10)

Aqui, fica claro que os sacerdotes são provenientes de “toda tribo, língua, povo e nação”, a mesma descrição dada à grande multidão, pois ambos compartilham a mesma identidade.

Em Apocalipse 7:15, a grande multidão serve a Deus “dia e noite no seu templo”, (ναός), termo grego que se refere ao Santíssimo, o lugar da habitação divina, acessível no passado apenas pelo sumo sacerdote, no dia da expiação e apenas uma vez ao ano.

Porém após a morte de Jesus, a cortina do templo que separava o Lugar Santo do Santíssimo rasgou no meio, de alto abaixo, assim os sacerdotes espirituais tiveram acesso ao Santíssimo, a presença de Deus no seu templo celestial.

“Por isso, estão diante do trono de Deus, e o servem de dia e de noite no seu templo; e aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a sua sombra.” (Apocalipse 7:15)

Além disso, em Apocalipse 22:3-5, vemos que os servos de Deus reinarão com ele, vendo sua face e participando de sua glória.

“Mas o trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus escravos lhe prestarão serviço sagrado; eles verão a sua face, e o seu nome estará na testa deles.” (Apocalipse 22:3, 4)

Se a grande multidão estivesse na Terra, como sustentam as Testemunhas de Jeová, seria incoerente dizer que estão “diante do trono” e “no templo celestial”, pois esses termos são usados exclusivamente para se referir ao céu.

Resumo Geral: A Grande Multidão e os 144.000

A análise cuidadosa dos textos bíblicos demonstra que:

📌 A grande multidão e os 144.000 fazem parte do mesmo grupo celestial.

📌 Ambos compartilham as mesmas descrições, funções e recompensas.

📌 Todos os salvos em Cristo são chamados para a mesma esperança celestial, onde servirão a Deus em seu templo e reinarão com Cristo para sempre.

Agora faz sentido as palavras de Jesus em Mateus 5:3 que diz:

“Felizes os que têm consciência de sua necessidade espiritual, porque a eles pertence o Reino dos céus.” (Mateus 5:3)

Assim, quando os textos do Apocalipse são analisados em seu próprio contexto, a distinção entre a grande multidão e os 144.000 como dois grupos com esperanças diferentes não se sustenta biblicamente. O que emerge é um único povo redimido, chamado a estar diante do trono de Deus e do Cordeiro.

NOTA: A expressão “grande multidão das outras ovelhas” aparece frequentemente nas publicações, mas não aparece nenhuma vez na Bíblia. Então porque fazem parecer que foi tirado da Palavra de Deus?

O nosso próximo estudo responderá a seguinte pergunta: Os 144.000 e a Primeira Ressurreição. Qual sua opinião?


📬 Tem Dúvidas ou Sugestões? Ficaremos Felizes em ouvir Você:

Categorias: Bíblia